quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

CAMPONESES RESISTEM AOS ATAQUES DO LATIFÚNDIO E TENTATIVAS DE DESPEJO EM LAGOA DOS GATOS- PE

Reproduzimos a importante denúncia que recebemos da Liga dos Camponeses Pobres- Nordeste:

"Há mais de 15 anos cerca de 80 famílias conquistaram a fazenda Riachão de Dentro (Lagoa dos Gatos – PE) e neste período foram inúmeras as tentativas do latifúndio de frear nossa luta. Os camponeses resistiram ao longo dos anos sete despejos e tem desenvolvido sua organização e produção chegando hoje a ser de forma inconteste a área camponesa mais produtiva do município e uma das mais prósperas da região. Atualmente, o velho Estado a serviço dos supostos herdeiros do antigo latifundiário, entre eles o atual secretário de agricultura do município, enviou para o batalhão de choque da PM de Caruaru um mandato de reintegração irregular, sem notificar os camponeses, o Incra nem a promotoria agrária.
Desde a realização do Corte Popular em 2009, quando cada família recebeu sua parcela, toda a terra que antigamente só tinha mato, gado e carrapato, se transformou em roças de irrigação altamente produtivas. Atualmente os camponeses produzem banana, macaxeira, mandioca, milho, batata, feijão, alface, coentro e muitas mais lavouras. Hoje ao longo das mais de 600 hectares, os camponeses construíram com grande trabalho muitas casas de alvenaria, casa de farinha, poços, barragens, cacimbas, cisternas e muitas mais benfeitorias. A Área Revolucionária José Ricardo é um exemplo concreto da superioridade do caminho democrático que está se abrindo com a Revolução Agrária em relação ao caminho latifundiário dessa velha sociedade semifeudal e semicolonial sob a qual se desenvolve um capitalismo burocrático.
Ao longo dos anos, sob a bandeira da Liga dos Camponeses Pobres, os camponeses tem forjado uma alta organização, funcionando regularmente as Assembleias Populares, o Comitê de Defesa da Revolução Agrária (CDRA), a Escola Popular, o Movimento Feminino Popular e a associação, ademais participando de campanhas democráticas e revolucionárias nacionais e internacionais.
A ordem de despejo, como divulga sem vergonha um dos “herdeiros”, é de “queimar tudo” o que construíram os camponeses ao longo dos anos. Ordem absurda e reacionária que é uma verdadeira declaração de guerra contra os camponeses. Os tambores estão retumbando por todo o município. Nesta semana os camponeses conseguiram o posicionamento do Ministério Público de suspender durante 90 dias o mandado de reintegração e seguem exigindo que o INCRA cumpra a sua velha promessa de regularização. O clima na Área Revolucionária José Ricardo é de firmeza e combate. Os camponeses anunciam que não permitirão que destruam suas conquistas nem os despejem de suas terras.
No dia 09 de fevereiro foi realizada uma contundente manifestação na sede do município com a participação de 150 camponeses de Riachão de Dentro, com o apoio de camponeses das Áreas Revolucionárias Renato Nathan e Rosalvo Augusto de Alagoas, e estudantes da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia e do MEPR. A manifestação e a defesa da Área Revolucionária José Ricardo ganhou o apoio generalizado de pequenos comerciantes, marchantes, professores e o povo em geral do município.
O mandato de despejo contra a Área Revolucionária José Ricardo faz parte do ataque que o velho Estado continua aprofundando contra a luta camponesa pela terra e a luta do povo das cidades ao longo do país. A Área Revolucionária José Ricardo abastece o município e a região, garantindo alimentos e reduzindo o custo de vida. Chamamos a todos os camponeses, operários, pequenos comerciantes, intelectuais honestos, democratas e revolucionários a apoiarem a luta dos camponeses da Área Revolucionária José Ricardo.
Viva a Revolução Agrária!
Terra para quem nela vive e trabalha!
O Povo quer terra e não repressão!
Morte ao latifúndio!
Combater e Resistir!
  
Liga dos Camponeses Pobres - Nordeste "

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

ALEMANHA: Polícia faz campanha de perseguição a Manifestantes contra G20



Em uma conferência ocorrida em dezembro, a polícia de Hamburgo divulgou fotos de 104 manifestantes acusando-os de “criminosos”. Os 104 manifestantes foram fotografados e filmados enquanto participavam de protestos contra a cúpula do G20 em ao menos cinco diferentes cidades da Alemanha. As imagens estão sendo divulgadas em jornais do monopólio de imprensa como o tabloide Bild.

Nas manifestações anti-imperialistas que ocorreram em julho, durante a conferência internacional, 71 ativistas foram presos e advogados denunciaram a dificuldade de falar com seus clientes, a escassa alimentação e a insalubridade das celas, com um número de detentos superior ao permitido. Antes mesmo do encontro a polícia já havia feito diversas operações para intimidar e desorganizar os grupos que preparavam manifestações contra a conferência. Houveram diversas denúncias de invasão policial e ameaças contra acampamentos de estrangeiros, centros internacionalistas e culturais como o  Centro Internacional B5 (Internationale Zentrum B5) e o antigo teatro Flora Vermelha (Rote Flora).

Apesar das intimidações, os protestos reuniram milhares de pessoas que se deslocaram de toda a Europa. O aparato de repressão contou com cerca de 30 mil agentes, canhões de água e armas “menos letais”. Durante os confrontos com a polícia, barricadas foram levantadas nas ruas de Hamburgo e nem mesmo Melania Trump, a esposa de Donald Trump, conseguiu deixar a residência oficial e chegar ao encontro.

A perseguição aos 104 manifestantes, além de ser uma continuidade da repressão aos protestos contra o G20, faz parte da política de repressão ao movimento anti-imperialista e internacionalista na Europa, assim como a prisão de 10 ativistas da ATIK (Assossiação de Trabalhadores Turcos na Europa), também encabeçado pelo governo de Angela Merkel. Mas quem são os verdadeiros criminosos?
A cúpula do G20 reúne os dirigentes econômicos de países imperialistas, como Estados Unidos e Alemanha, União Européia,  e seus subalternos em países dominados, como o caso de Brasil, África do Sul e Argentina. Desde sua fundação o grupo define políticas chamadas “neoliberais”, que são uma forma de manutenção e aprofundamento do poder dos monopólios imperialistas sobre os povos de todo o Mundo. A cúpula do G20 é portanto responsável direta por jogar nações inteiras na crise e pelas catástrofes relacionadas a ela. Os protestos contra o G20 foram resposta dos trabalhadores europeus e migrantes a precarização de suas vidas e uma demonstração de internacionalismo e solidariedade a todos os povos explorados. O site alemão Dem Volke Dienen (Servir Ao Povo) em nota sobre a perseguição aos 104 ativistas afirma: “pensamos que é importante enfatizar que essa grande caçada humana pelo Estado imperialista alemão é uma coisa em particular: uma expressão de sua fraqueza. De sua humilhante derrota em julho de 2017. Eles pensam que podem caçar pessoas. Eles pensam que podem se vingar. Mas temos um entendimento diferente. E nós sabemos, no final, vamos ganhar.”.  A apresentação de ativistas como criminosos pelos monopólios de imprensa e pela polícia alemã é uma tentativa de “virar o jogo” e esconder que imperialistas e seus cúmplices lacaios reunidos na Cúpula do G20 é quem são verdadeiros criminosos.

LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS DE HAMBURGO!
Abaixo a criminalização do movimentos Anti-imperialistas e internacionalistas na Europa!

PALESTINA RESISTE!

Viva a heroica resistência do povo palestino contra a ocupação sionista!



O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos- CEBRASPO manifesta seu apoio e solidariedade internacionalista a causa palestina, exemplo imortal para toda a humanidade de como um povo pode colocar-se de pé para lutar e resistir. Em nome da resistência dos povos oprimidos contra o imperialismo, gostaríamos de saudar a heroica resistência palestina!

O recente anúncio de Donald Trump sobre a mudança da embaixada estadunidense para Jerusalém foi respondida com bravura e destemor pelos palestinos em todo o seu território. Esta mudança reconheceria Jerusalém como capital do Estado invasor de Israel, possibilitando que este avance ainda mais sobre o território palestino com seu aparato de guerra genocida.

O Estado de Israel é denunciado por manter em carcere privado centenas de milhares de presos políticos, entre eles crianças e adolescentes. Estas prisões são verdadeiros campos de concentração pelas condições de tortura e privações que são submetidos os palestinos. 

Sabemos que o genocida exercito de Israel e seu armamento é referência para exércitos e polícias pelo mundo a fora, inclusive pelo Brasil apontado por ter uma das polícias que mais mata no mundo, servindo como laboratório para as forças de repressão atuarem contra o povo, e principalmente contra aqueles que ousam se rebelar.

Sabemos que na época do imperialismo, somente o justo combate feito pelas massas oprimidas de um país pode levar a cabo a guerra de resistência e de libertação nacional, sendo assim defendemos e apoiamos a justa luta palestina.



     

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

ESTADO DESAPROPRIA O LATIFÚNDIO ONDE OCORREU A CHACINA EM PAU D'ARCO, NO PARÁ

Reproduzimos matéria do Jornal A Nova Democracia:



"Sob pressão, Estado desapropria latifúndio Santa Lúcia em Pau D'arco, Pará.
Camponeses exigem justiça!
Da Redação de A Nova Democracia

Em reunião do Comitê de Decisão Regional do Incra de Marabá, realizada no SINTEP de Pau Darco no último dia 21 de dezembro, foi anunciada a compra do latifúndio Santa Lúcia pelo Estado brasileiro. O Incra se comprometeu a regularizar a posse das vítimas do covarde e criminoso massacre ocorrido no dia 24 de maio deste ano.
As terras já estão tomadas pelos camponeses, que se juntaram à Liga dos Camponeses Pobres do Pará e Tocantins e retomaram as terras no dia 13 de junho, conforme noticiou à época A Nova Democracia:

"No dia 13/06, mais de cem famílias camponesas reocuparam as terras do latifúndio Santa Lúcia – fazenda onde ocorreu a Chacina de Pau D’Arco, crime que chocou o brasil e o mundo no qual dez camponeses foram barbaramente assassinados pelas forças policiais do velho Estado no dia 24 de maio deste ano – com o apoio da LCP do Pará e Tocantins, reerguendo o acampamento e mantendo a luta pelo sagrado direito à terra."

Até a decisão lavrada no último dia 21 de dezembro, foram realizadas dezenas de reuniões de cobrança com o Incra regional e nacional, e apesar de todas as pressões os camponeses não arredaram por um milímetro que fosse de sua posse na terra.

A reunião foi realizada no Sintep sub-sede de Pau Darco, mesmo local do histórico Encontro Camponês do Sul do Pará realizado nos dias 28 e 29 de outubro passado, com a presença de camponeses da região, representantes indígenas e quilombolas, representantes da ABRAPO, CEBRASPO, além de representantes de outros movimentos regionais e de caráter nacional.

Com a palavra, a Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres, a LCP do Pará e Tocantins e a Associação Nova Vitória do Acampamento Jane Júlia (nome dado pelos camponeses em homenagem a presidente anterior da associação assassinada na chacina) demonstraram que o Estado não estava dando nada, que esta foi uma vitória da luta, e cobraram justiça, uma vez que no dia 18 o Tribunal de Justiça do Pará concedeu habeas corpus para nove dos dezessete policiais acusados pela chacina.

O local da reunião estava repleto de faixas da Liga, bandeiras e o retrato dos 11 companheiros assassinados (10 na chacina e mais o camponês Josenildo, conhecido por "Negão", logo após a reconstituição do crime pela polícia federal). "

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

SOLIDARIEDADE A FEDERAÇÃO ANARQUISTA GAUCHA (FAG)

Em solidariedade a Federação Anarquista Gaúcha- FAG, que vem sofrendo perseguição política, reproduzimos em nosso blog o vídeo realizado pelo Jornal A Nova Democracia:



LUTAR NÃO É CRIME!
LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS!


domingo, 3 de dezembro de 2017

JUSTIÇA DE MARABÁ (PA) EXPULSA 700 FAMÍLIAS DO ACAMPAMENTO HELENIRA REZENDE

Reproduzimos grave denúncia publicada no site do Brasil de Fato sobre uma arbitraria reintegração de posse que deixou 700 famílias sem ter aonde morar e plantar. A polícia Militar, não contente com a expulsão dos camponeses também destruiu as casas e plantações da área.
O Comando de Missões Especiais (CME) da Polícia Militar cumpriu, nesta segunda-feira (27), a determinação judicial de reintegração de posse do acampamento Helenira Rezende, localizado às margens da BR -155, no Km 52, entre Marabá e Eldorado do Carajás, na região sudeste do Pará.
Paulo Pereira da Silva, de 49 anos, mora no acampamento que recebe o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Ele, a esposa e o filho moravam no Helenira Rezende há oito anos. Silva era coordenador na escola que foi construída pelos agricultores, e atualmente é estudante na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) no curso de educação do campo.
As famílias desmontam suas casas durante o cumprimento da liminar. No local, 15 ônibus foram levados para fazer o transporte das famílias; caçambas e uma retroescavadeira também estavam o local levar materiais e destruir plantações e casas / Ascom MST
Por telefone ele relata a situação enfrentada pelas famílias durante a desocupação e critica a atuação do governo em relação aos trabalhadores rurais sem-terra: “A gente está vendo esse projeto de sonho, que cuida da educação e da agricultura, sendo desmanchando hoje pelo governo do estado e pelo governo federal, que negligenciou a causa dos trabalhadores. Estamos aqui no meio da pista, polícia para todo lado, com caminhões, caçamba; para o governo mobilizar uma ação dessas aparece verba imediatamente, mas para fazer um projeto de reforma agrária não aparece [dinheiro] e as famílias estão aqui agora à mercê”.
Cerca de 700 famílias viviam no acampamento e ocupavam uma área de, aproximadamente, 10 mil hectares espalhados em lotes e vilas pelas fazendas Cedro e Fortaleza. As áreas integram um conjunto de fazendas chamado Complexo Cedro, do qual a empresa Agro Santa Bárbara Xinguara S/A afirma ser a proprietária.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

ACAMPAMENTO NOVA CACHOEIRINHA- MG É CERCADO POR PMs DE PIMENTEL-PT

DEFENDER O DIREITO A TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!


No ano de 2017 vibramos junto aos companheiros posseiros do Acampamento Nova Cachoeirinha, no Norte de Minas Gerais, seus 50 anos de resistência. Heroica resistência! Ontem recebemos a grave denuncia de  que foi concedida ordem de reintegração de posse, beneficiando o latifundiário e ameaçando despejar dezenas de famílias descendentes de quilombolas e indígenas da região que tiveram suas terras roubadas.

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos- CEBRASPO faz um chamado a todos que defendem a justeza da luta dos camponeses pobres, sem terra ou com pouca terra, a se posicionarem contra o cerco do Acampamento Nova Cachoeirinha e a defenderem os posseiros e o seu justo direito à terra, estes que resistem  a 50 anos nessas terras!
Aos companheiros de Nova Cachoeirinha enviamos nossa solidariedade e nosso compromisso em trabalharmos defendendo o direito dos povos, principalmente o direito de lutarem por seus direitos. Não mediremos esforços!

"O Governo prometeu entrar com Ação Discriminatória para provar que as terras são devolutas, suspender o COVARDE despejo e assentar as famílias e agora está gastando rios de dinheiro com tropas e mandou até helicóptero da PM sobrevoar nossos barracos, assustando nossas crianças e fazendo ameaças. "



Reproduzimos a denúncia que recebemos da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia sobre as ameças e cerco do acampamento:


"Os camponeses do Acampamento Nova Cachoeirinha denunciaram que a PM de Janaúba chegou pela noite do dia 20 no Acampamento e relataram que durante toda a madrugada as famílias  foram atacadas a bomba de efeito moral, assediadas pelos holofotes das viaturas e ameaçadas pelas tropas da policia,  segundo informações, mais de 100 policiais estão cercando o Acampamento. 

Um companheiro enfartado passou mal e foi retirado as pressas pelos companheiros. Algumas pessoas idosas e doentes tiveram que se retirar pela mata, receosas de represálias.

Também as famílias da Comunidade Vitória, vizinha do Acampamento que prestou solidariedade aos companheiros foram atacadas a bombas e intimidadas durante a madrugada, os policiais ameaçaram quem saísse de casa. 


Até agora nenhum órgão compareceu ao lugar para verificar as condições das famílias e apurar todas essas arbitrariedades, só ficam ligando para o Comitê de Apoio em Montes Claros, enquanto todas essas arbitrariedades são cometidas pela PM contra homens, mulheres e crianças do Acampamento Nova Cachoeirinha."



TERRA PARA QUEM NELA VIVE E TRABALHA!
DEFENDER OS POSSEIROS DE NOVA CACHOEIRINHA!





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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

DEFENDER OS POSSEIROS DA ÁREA NOVA CACHOEIRINHA!

Recebemos grave denúncia do Comitê de Defesa da Revolução Agrária  - Nova Cachoeirinha que relata a ordem de despejo emitida contra os camponeses que vivem e produzem na área revolucionária Nova Cachoeirinha em Minas Gerais. Essa região é palco da brava resistência camponesa a mais de 50 anos, e agora mais uma vez o latifúndio, com a ajuda dos órgãos do governo, tenta arbitrariamente tomar as terras das famílias camponesas .
Os camponeses já deixaram claro em suas notas e declarações que não irão entregar suas terras e resistirão a qualquer ação covarde que possa vir das forças policiais.Convocamos todos os democratas e progressistas, defensores dos direitos do povo, a se mobilizarem na defesa dos camponeses da Nova Cachoeirinha que estão exercendo seu direito de conquistar a terra para quem nela vive e trabalha.


Segue abaixo a denúncia:

Governador Pimentel/PT descumpre acordo e manda PM despejar posseiros de Cachoeirinha


O dia 21 de novembro é a data marcada pelo governador e sua “mesa de diálogo” para enviar tropas da PM, armadas até os dentes, contra as famílias camponesas da Nova Cachoeirinha. É a data que ameaçam usar seu aparato de guerra contra trabalhadores, homens, idosos, mulheres e crianças como foi na década de 60, durante o Regime Militar fascista, quando as tropas do famigerado Coronel Georgino invadiram Cachoeirinha e expulsaram os posseiros de suas terras e depois forjaram documentos, usando dos serviços de advogados como Manoel Patrício, que recebeu como paga essas mesmas terras onde nos encontramos hoje.
Há 50 anos, os posseiros resistiram contra a perseguição, prisão, assassinatos e expulsão de suas terras pela polícia militar e pistoleiros pagos pelos latifundiários, muitos perderam suas casas, lavouras, animais e tudo que tinham construído em décadas de trabalho e sacrifício, desbravando as matas, enfrentando as feras e construindo o vilarejo. Durante um dos ataques, as famílias tiveram que se embrenhar na mata e na fuga, 62 crianças morreram de fome, frio e sarampo.
Nós temos provas históricas que estas terras são NOSSAS e que FORAM ROUBADAS dos nossos pais e avós, descendentes de negros e indígenas, e apresentamos em reunião com representantes do Governo, SEDA – Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, realizada no dia 02 de outubro em Belo Horizonte. O INCRA nacional também se comprometeu e a Ouvidoria Agrária Nacional solicitou ao desembargador Antônio Bispo, do Tribunal de Justiça de MG, para reconsiderar a liminar, visto que havia uma questão de justiça histórica que deveria ser apurada.
Esta questão já foi reconhecida pelo Governador Tancredo Neves na década de 80, que assinou decreto desapropriando 17 fazendas, que haviam sido falsamente legalizadas pela Ruralminas, decidindo que elas deveriam voltar para as mãos dos posseiros. No entanto, somente duas fazendas foram devolvidas para os camponeses: União e a Caitité, que o Coronel Georgino se dizia dono.
Além disso, as terras da Fazenda Vera Cruz estavam completamente abandonadas e agora, nós estamos criando e plantando.  
Não vamos abandonar nossas roças de feijão, milho e abóbora para grileiro destruir, como fizeram em 1967!
Descrição: E:\Escolas Populares 100 anos\NC\SAM_2785.JPG
O Governo prometeu entrar com Ação Discriminatória para provar que as terras são devolutas, suspender o COVARDE despejo e assentar as famílias e agora está gastando rios de dinheiro com tropas e mandou até helicóptero da PM sobrevoar nossos barracos, assustando nossas crianças e fazendo ameaças.  
O Prefeito de Verdelândia que sabe a situação de desemprego e miséria do nosso município, foi procurado por nós (inclusive alguns eleitores seus), ele e todo mundo que mora em Cachoeirinha, conhece bem esta história dos posseiros, mas preferiu lavar as mãos, tomando partido do latifundiário, pois sabe que esta carapuça de grileiro lhe veste bem.
Mas nós, as famílias da Nova Cachoeirinha, NÃO VAMOS SAIR DE NOSSAS TERRAS! Vamos Resistir, vamos defender nossas famílias, nossas roças, nossos barracos, nosso direito e nossa dignidade: é tudo o que temos! Não permitiremos que outro Pau D´Arco aconteça como ocorreu no Pará.
Responsabilizamos o Governador Pimentel/PT e a SEDA, o governo Temer/PMDB/PSDB, o INCRA, a Ouvidoria Agrária Nacional, o Prefeito de Verdelândia Wilton Madureira/PT e o desembargador Antônio Bispo por qualquer agressão e violência que venha a ser cometida contra nossas famílias! Nenhuma chuva do mundo poderá lavar as suas mãos sujas de sangue por mais essa injustiça.



Viva a Revolução Agrária! Cleomar Vive! Morte ao latifúndio!
Terra para quem nela vive e trabalha!
Nov./2017      Comitê de Defesa da Revolução Agrária - Nova Cachoeirinha